sexta-feira, 29 de abril de 2011

Desencontros

Eu te procurei e sem te encontrar ali fiquei, paralisada ao som do vento. De um lado e do outro escadarias que levam à escuridão. Desconhecido? Fiquei o quanto pude, até esquecer-me ali. Para onde ir? Silêncio, só o meu coração insistia em bater descompassado enquanto as lágrimas lavavam a tez branca pálida.

De repente me vi novamente carregada ao som marcado dos vagões. Sou levada cada vez mais longe, sem piedade. "Cheguei mas tu não chegaste", desfila na minha mente Bilac, versos que aprendi quando criança. Não tornei a ver a luz do teu olhar. Não houve a dor da despedida e nem a alegria da chegada, mas a dor da longa ausência lateja sem trégua pelo caminho da existência.

Para recordar o poema de Bilac:

Nel mezzo del camim...

Olavo Bilac

Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada

E triste, e triste e fatigado eu vinha.

Tinhas a alma de sonhos povoada,

E alma de sonhos povoada eu tinha...

E paramos de súbito na estrada

Da vida: longos anos, presa à minha

A tua mão, a vista deslumbrada

Tive da luz que teu olhar continha.

Hoje segues de novo... Na partida

Nem o pranto os teus olhos umedece,

Nem te comove a dor da despedida.

E eu, solitário, volto a face, e tremo,

Vendo o teu vulto que desaparece

Na extrema curva do caminho extremo.

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